sábado, 16 de outubro de 2010

Namorados

Esse meu texto é velhoooo (2007), e teve uma ótima repercussão no meu space do msn. Escrito às vesperas de um dia dos namorados.
-*_*--*_*--*_*--*_*--*_*--*_*--*_*--*_*--*_*--*_*--*_*--*_*--*_*--*_*--*_*--*_*--*_

Namorados?
Publicado em 12 12America/Chihuahua junho 12America/Chihuahua 2007 por cintiamabilde



Quem, em plena lucidez, negaria que deseja um amor pra vida toda? Alguns abençoados encontraram, outros, por comodidade, fingem que encontraram, e por fim, covardes que dizem que não estão procurando.
Encontro-me no último grupo.
-Namorado? Cruzes, não tenho tempo pra isso! Deus me livre! Solteirice é o que há! Festa atrás de festa, liberdade!
Ah, santa hipocrisia! Não tenho tempo pra namorado, mas tenho pelo menos umas duas noites da semana pra procurar alguma companhia volátil.
Como assim??? Sai duas noites por semana e não achou ainda? Que fracasso!
Fracasso nada! Burrice, ou, falta de visão estratégica. Me diga: Como achar na noite, onde há um mix de tudo que existe (homens lindos, inteligentes, infantis, preguiçosos, poetas, engenheiros, advogados, tenistas, surfistas, mentirosos, tímidos, marombados…) e não há oportunidade de ler quem é quem, isso quando conseguimos ler o que nós mesmos procuramos.
O perfil que me atrai é bastante estranho, o que me alegra por diminuir drasticamente a concorrência. Não gosto de homens marombados. Não gosto de homens altos demais. Não gosto de preguiçosos. Gosto de inteligência, um bom papo, companhia para tardes de sol atirados numa grama qualquer. Homens que gostem de crianças, velhinhos e cachorros. Homens que estudam, estudaram, ou estudarão. Homens ocupados. (Mas eu também gosto de olhos verdes e homens perfumados)
Ocupados?? Loucaaaaaaa! Morrer de carência com um homem sem tempo pra mim!
Vejo nisso a solução! Solução para o fato de eu não funcionar direito quando acompanhada. Acabo abdicando da minha vida, minha existência e passo a fazer comida, planejar momentos de lazer, viagens… Quando vejo, estou lavando cuecas e achando que o amor é lindo.
Ok, pode até ser lindo. Mas, se acabasse hoje, o que eu seria?? Seria apenas uma mulher (triste) separada.
Não quero ser isso! Então, não procuro uma companhia. Procuro a companhia certa, que me dê espaço e incentivos para eu continuar me construindo. Quero ser a Cíntia analista, a Cíntia gestora. Cíntia mãe. Cíntia jogadora de futebol. Cíntia que gosta de acampar, tomar banho de rio e se sujar feito uma moleca em trilhas. Quero ser a Cíntia que trabalha muito, e ama tudo que faz. A Cíntia que gosta de fondue com vinho. Teatro, corrida, sexo. Quero ser a Cíntia que não se importa com pêlos de cães e gatos no tapete, a mesma Cíntia que limpa tudo isso pra fazer um climinha com filme e pipoca no sofá.
Ufa, cansei, e aposto que não falei a metade das Cíntias que habitam meu ser. Enfim, quero ser eu mesma e de quebra ter alguém pra dormir de conchinha e amar.
Tenho dúvidas se cabe eu mesma e mais alguém numa cama só. Às vezes penso que eu não crio espaço pra isso, em outros momentos, acho que existe esse espaço sim, e eu, com minha hipocrisia, ocupo o espaço com bolinhas de isopor e afirmo: não tenho tempo para isso!

Destino

Destino
(texto que estava no meu outro blog (março/2010) , estou jntando-os aqui)


Meus últimos dias e últimas ações me fizeram pensar muito sobre escolhas, e dentro das reflexões me surgiu o tal destino. Aquela coisa sonhadora, de que se Deus quiser, terei sucesso, se a vida reservar a mim, terei um amor pra vida toda…
Ah, eu já esperei tanto por ele! Mas estou prestes a fazer 30 anos. Uma balzaquiana não pode se dar ao luxo de esperar pelo tal destino.
Olhei pra mim, pro meu passado, e vi, que me segurando numa falsa esperança nesse tal destino, eu deixei de fazer escolhas, deixei de fazer por mim, com a explicação cabalística de que assim seria se o destino o quisesse.
Acho que o destino veste bem aos adolescentes, não mais a mim.
Já passei do ponto de esperar e acreditar que tudo dará certo no final… A vida de gente grande dá certo para os que acordam cedo e trabalham, dá certo pra quem ousa e investe em si. A vida amorosa se resolve quando resolvemos abrir o coração, a mente, correr e assumir riscos. Não dá certo pra quem fica na mesmice, para quem fica esperando a intervenção divina do destino.
O destino é muito esperto, engana aos bobos. Os bobos ficam esperando a felicidade chegar, enquanto isso,os céticos que nele não acreditam, estão correndo atrás e realizando seus sonhos…
Eu quero realizar sonhos. Nunca tive muitos, pois sempre achei que a vida estava para ser vivida, não para ser um problema a ser resolvido. Mas cansei. Acordei. Quero Sim sucesso no meu trabalho, faço questão de fazer o melhor, quero sim minha família junta e feliz, e quero (pasmem) um amor pra vida toda.
Mas amor, amor não resolve depressão. Amor não mata fome, amor não compra casa. E se for um amor mal assumido, ele embola o meio de campo e tudo vira um atrapalho. Quero um amor maduro. Quero um amor que me ame de verdade, quero um amor que ame meu humor, e entenda meu péssimo humor quando estou com sono.
Quero um amor que me escreva um bilhete, ou que faça com a ponta dos pés na areia, as letras de nossos nomes. Esse amor tem que me deixar amar. Esse amor tem que nos cuidar. Quero ser mulher. Sempre fui o Tonhão. Não quero mais. Agora uso salto e maquiagem, não quero mais arrumar a elétrica da casa e trocar o pneu do meu carro.
Destino, pode trazer tudo isso pra mim?????
Não. já tem gente demais esperando por ele…. Só tenho uma escolha: Fazer pelo meu trabalho, e mudar pelo meu amor. Fácil? Não. Mas o que seria da vida sem desafios? Seria uma espera. Uma espera pelo tal destino, mas estou quase de aniversario, e o relógio não permite esperar

Escolhas

Certa vez, conversando com um guru dos relacionamentos, ele me disse: Teu defeito é ser escolhida, e não escolher.
Passaram anos, relacionamentos, frustrações... Agora, aos 30 anos e algumas tentativas acho que entendi o que isso quer dizer.
Sempre fui carente, o que me condicionava a me confortar ao lado de pessoas que gostavam de mim. Mas nunca valorizei que eu deveria gosta-las por outro motivo, e não por uma reciprocidade de gratidão.
O resultado disso sempre foram frustrações. Me frustrava por algumas incompatibilidades, por querer algo que essa pessoa não podia me dar, ou simplesmente por ter de conviver com comportamentos dos quais eu não imaginava que um parceiro meu tivesse.
Perda de tempo. E além de tempo perdido, sem querer também frustrei e magoei pessoas, pois infelizmente, eu também não podia oferecer pra elas o que elas mereciam e esperavam.
Das reflexões dessas experiências, vem a tona a necessidade de escolher. Sempre usei o bordão de que minha vida não é composta de destino e nem de carma, mas sim de escolhas. Inclusive, a vontade de não escolher, é uma escolha, o que torna essas consequências reflexos das minhas ações, escolhidas.
Sempre nos términos de relacionamentos a gente acha que cresceu, evolui, mudou e praticamente nasceu de novo. Ok, um pouco é exagero, um pouco é um auto-consolo para restaurar nossa auto estima e colaborar para uma recuperação. Mas pequenas coisas ficam sim, pois já dizem por ai, que é na hora da dor que a gente mais aprende.
Acho que aprendi. Estou procurando determinadas características e levando, levando, até que eu tenha certeza de que estou procurando coisas onde haja chance real de eu encontra-las.
E todos nos deveríamos fazer o mesmo. Escolher de fato, pois não somos tão ruins de modo que tenhamos que nos confortar com o que a vida nos dá. Que isso??? Somos únicos, merecemos ter o que precisamos, não o que há disponível por ai. Seja fácil, seja difícil, tenho certeza que o resultado vai ser melhor.
Escolha ser feliz, escolha as coisas que quer fazer, escolha a vida que vais levar. Nossa vida é única, e a responsabilidade de tudo é nossa, e a escolha está em nossas mãos.
Ser escolhida faz bem pro ego, mas escolher faz bem pra saúde!


sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Papai do céu me esqueceu na fila da pressa, tomei duas doses. Na hora que foram regular meu volume, sai correndo e hoje sou uma "gueluda". recebi o pacote de curiosidade, peguei apostilas de habilidades manuais e por engano, peguei uns manuais de atividades hidroeletromecanicatividades masculinas. Recebi um saquinho com uma porção de paciênciae com paciência consegui aguentar a longa fila do amor.Chegada minha vez, recebi um abraço com cheiro de mãe, e ganhei uma caixa prateada, com um lindo laço vermelho. Ao pegar, me surpreendi, pois era muito leve e facil de carregar. Pergnutei então se poderia pegar mais uma, e o distribuidor me disse que se eu fosse usar, poderia sim. Escolhi uma caixa fúccia com um laço aamarelo marca-texto.
Eram tão anatômicas e fáceis de levar, que empilhei todos embrulhos (ai que acho que a paciência caiu...) e segui.
Na saída, uma fada lilás colocou os pacotes no compactador e com um raio X atravessou meu peito e instalou. Era mais ou menos assim S2.
Eis que nasci. Como os pacotes estavam bagunçados usei mais uns do que outros. Tinha pena de desfazer os pacotes de amor, e usei só o de laço vermelho. Amei Matheus, Luiz, André... Ah, como amei!!
O pacote da curiosidade saltou, e num ato descontrolado puxei a fita amarela.
A formula do amor é a mesma, porém nas indicações havia outras especificações.
Nesse dia, passei a me amar mais, e me pego diariamente olhando para minha família e pensando: como amo esses dois!!!!
Dirijo 35km por dia só para fazer companhia para minha irmã e tentar facilitar um pouco o dia dela. Nesse percurso, sinto o cheiro da torra do café, e penso o quanto eu amo o lugar onde estou e as pessoas que aqui estão.
Descobri o amor por um lugar onde ninguém tem meu sangue mas todos me tratam bem, aqui sou chamada de gaúcha e não mais de dentuça, pau de virar tripa, seca.
Amo o estado com a maior frota do país, mas onde nunca vi uma ambulância trancada. Amooo o trânsito mais louco e mais organizado, onde não vejo os egos e mágoas como no sul.
Amo motoqueiros, e a loja do Japonês.
Amo uma cidade igual a mim, que não dorme para o tempo não passar.
Amo o simples, e quando vejo, estou amando igualmente o grandioso.
Não é um conto de fadas, é um conto da Cíntia. A Cíntia que tinha mordido uma maçã envenenada e que agora despertou - será que com um beijo?
E se você achar um embrulho de paciência, por favor...

Mestres!

Diferente de qualquer sexta feira, hoje é dia 15 de outubro, dia dos professores.
Hoje pensei o quanto eu desejava ser professora, pensei no quanto eu admiro meus amigos que dedicam suas vidas à docencia, assim como todos outros educadores anônimos
Em lapsos nostálgicos, me peguei pensando na Maristela. Sem dúvidas ela nem lembra que eu existo, mas carrego comigo o carinho que a minha primeira professora me deu.
Ela era dedicada, me elogiava, me estimulava e me reprendia quando necessário. Era comum, as segundas feiras que ela levava cana, que trazia de um sitio, e nos divertiamos chupando cana. Eu lembro que não via nenhum motivo gustativo para fazer aquilo, mas lembro da delícia que era fazer uma rodinha em torno dela que contava histórias.
Maristela casou-se e mudou-se para o interior, e a lembrança que tenho, é que sentia ódio da lembrança desse casamento, pois foi esse tal de marido que me tirou a pessoa mais importante da minha vida educativa.
Hoje eu agradeço à todas Maristelas, Anas, Veras, Julianas, Joãos... e sem dúvidas, nas minhas orações noturnas vou pedir à Deus que siga iluminando e dando força pra esses profissionais incríveis que infelizmente essa sociedade doente não valoriza.
Um grande abraço de uma eterna aluna,
Cíntia